Ratinho vira réu por violência política contra a mulher após ataques a Natália Bonavides
O apresentador Carlos Massa responderá judicialmente por ofensas proferidas em 2021 contra a deputada federal; Ministério Público pede indenização de R$ 1 milhão.
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A Justiça Eleitoral de São Paulo aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público (MP) contra o apresentador Carlos Massa, o Ratinho, tornando-o réu pelo crime de violência política contra a mulher. A decisão foi assinada pelo magistrado Tiago Ducatti Lino Machado, da 1ª Zona Eleitoral, em 15 de abril de 2026.
Entenda o caso
O processo tem como origem declarações feitas pelo comunicador em 15 de dezembro de 2021, durante transmissão na Rádio Massa FM. Na ocasião, Ratinho atacou a deputada federal Natália Bonavides (PT-RN) em virtude de um projeto de lei de sua autoria. Segundo a Promotoria Eleitoral, as falas tiveram o intuito deliberado de humilhar e constranger a parlamentar, utilizando-se de termos discriminatórios baseados em sua condição de mulher para dificultar o exercício de seu mandato.
Entre as expressões citadas na denúncia, o apresentador sugeriu o uso de violência física e proferiu ataques de cunho machista:
"A gente tinha que eliminar esses loucos. Não dá para pegar uma metralhadora? [...] Feia do capeta também, nossa senhora. Você não tem o que fazer, minha filha? Vá lavar roupa, costura a calça do teu marido, a cueca dele."
O projeto que motivou a fúria do apresentador propunha a alteração do Código Civil para substituir termos como "marido e mulher" por nomenclaturas neutras, como "casais" ou "família", visando a inclusão de uniões homoafetivas no casamento civil.
Defesa e Pedido de Indenização
Em depoimento à Polícia Federal (PF), Ratinho admitiu as declarações, mas justificou que elas fazem parte de seu "estilo" de apresentação e que visavam gerar audiência. O Ministério Público Eleitoral, no entanto, reforçou a gravidade do episódio e solicitou a fixação de um valor mínimo de R$ 1 milhão como reparação por danos morais à deputada.
O juiz Tiago Ducatti destacou que a materialidade do crime está comprovada pelas gravações radiofônicas. Segundo o magistrado, as falas que sugerem que a parlamentar deveria "lavar roupa" ou "costurar" configuram atos de humilhação. Além disso, ele ressaltou o potencial intimidatório da menção ao uso de metralhadora.
Reviravoltas Processuais
O desfecho atual ocorre após um longo histórico jurídico. O caso chegou a ser arquivado pelo MP Eleitoral em abril de 2023, decisão inicialmente ratificada pela Justiça. Entretanto, Natália Bonavides recorreu ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), que invalidou o arquivamento em outubro de 2024 por considerar que as provas de machismo não foram devidamente analisadas.
Em dezembro de 2025, o Ministério Público Federal (MPF) reavaliou a situação, identificou indícios de crime e determinou a substituição do procurador do caso, levando à aceitação da denúncia agora em 2026. Devido à repercussão e às ameaças, a deputada relatou ter sofrido impactos diretos em sua segurança pessoal e rotina de trabalho.