PGR indica ser suspeito repasse de R$ 68,7 mi de empresa ligada a Vorcaro a filme de Bolsonaro, diz revista
O ministro André Mendonça autorizou nesta quinta-feira (23) que a Polícia Federal investigue aporte do banqueiro na produção de 'Dark Horse'
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A Procuradoria-Geral da República (PGR) indicou no parecer enviado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), ser suspeito um repasse da empresa Entre Investimentos, ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, ao fundo Havengate Development Fundo LP, que administra os recursos do filme “Dark Horse”, que contará a história do ex-presidente Jair Bolsonaro. As informações são da revista Piauí.
Segundo a reportagem, aporte de US$ 12,3 milhões (cerca de R$ 68,7 milhões à época) foi identificado em um Relatório de Inteligência Financeira (RIF). O documento do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) é usado para relatar transações atípicas ou suspeitas.
O parecer de nove páginas ao qual a revista teve acesso não informa se o repasse foi feito em uma única transferência nem a data. O documento enviado ao STF mencionou haver a previsão de financiamento total de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões à época), mas não confirmou se todo o valor foi enviado.
Nesta quinta-feira (23), Mendonça autorizou a Polícia Federal (PF) a instaurar inquérito para investigar os repasses de Vorcaro à produção de “Dark Horse”. Com a decisão do ministro, passam a ser formalmente investigados:
Senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ);
Ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro;
Deputado Federal Mario Frias (PL-SP);
Empresário e publicitário Thiago Miranda;
Corretor Altieris Santana;
Advogado Paulo Calixto.
O inquérito inclui também Vorcaro e o seu cunhado, Fabiano Zettel. Ambos já são investigados em outras ações ligadas ao Banco Master.
De acordo com as informações da Piauí, o despacho de Mendonça que autorizou a apuração é sucinto e não faz análise das provas. No documento, é dito que a suspeita de lavagem de dinheiro detectada pelo Coaf estaria ligada à possibilidade de uso do projeto cinematográfico para dar aparência legítima ao envio e utilização dos recursos no exterior.
Para apurar a hipótese, a PF analisará a forma como os repasses foram declarados, os contratos apresentados para justificar os aportes, os destinatários finais e a finalidade comunicada às instituições financeiras. A revista informou que a corporação aprofundará a apuração sobre eventual participação de Eduardo Bolsonaro na gestão dos recursos.
No parecer da PGR ao qual a revista teve acesso, é mencionada a existência de uma captura de tela de uma conversa entre o ex-deputado federal e Thiago Miranda. A partir da conversa, a PF e a Procuradoria trabalham com a hipótese de Eduardo ter orientado Altieres e Thiago Miranda sobre a gestão dos repasses de Vorcaro.
A investigação também buscará saber quem decidia como os recursos seriam empregados, bem como os beneficiários. Uma das suspeitas é de que os valores transferidos pelo banqueiro teriam bancado os custos de Eduardo nos Estados Unidos, onde mora há mais de um ano.
Segundo a Piauí, até o momento, a documentação examinada pela PGR não identificou nenhuma vantagem oferecida ao grupo de Vorcaro em troca de financiamento. Para apurar essa questão, a Procuradoria solicitou levantamento de proposições legislativas de Flávio e Mario Frias que possam ter atendido a interesses do Banco Master.