Política

O que é possível fazer com meio bilhão em Maceió?

Novo empréstimo poderia acabar com a fila das creches, financiar a construção de cerca de 1.000 casas, dezenas de escolas e UPAs e ainda sobraria caixa; porém aparece como um respiro de uma herança maldita.

Por João Mendonça
21/07/2026 às 14:57 53 views
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Rodrigo Cunha, como prefeito de Maceió, tem passado por maus bocados após assumir a gestão herdada por JHC. Falta pagamento para contratados terceirizados das creches Gigantinhos, imóveis são transferidos para o fundo previdenciário em busca de conter o rombo, IRRF dos servidores sendo retido até 2084 e, claro, a crise do lixo, cuja dívida chegou agora à casa dos 50 milhões de reais.

Para conter os boatos de falta de dinheiro e até um possível colapso nas contas públicas em pouco mais de dois meses de mandato, Cunha enviou à Câmara nesta terça pedidos de empréstimos que, somados, chegam a ultrapassar meio bilhão de reais.

Refletindo mais, veio a pergunta à mente: o que é possível fazer com esse valor em Maceió hoje?

  • Na Habitação: com o valor da moradia popular de referência do MCMV Faixa 1, de aproximadamente R$ 130 mil a R$ 180 mil por unidade, seria possível construir entre 2.900 e 3.900 casas para vítimas do afundamento da Braskem, reabrigando 12 mil pessoas, ou um em cada quatro afetados. Ou a drenagem e pavimentação de 14 bairros da capital, equivalente a um quarto de toda a cidade, ao custo médio de R$ 35,7 milhões. Para os que priorizam espaços públicos, seria possível construir 104 parques urbanos, semelhantes ao Parque da Criança, ao custo de R$ 4,93 milhões cada.
  • Na Educação: sendo uma Creche Proinfância Tipo 1, com capacidade para cerca de 376 crianças, ao valor médio de R$ 3,0 a R$ 3,5 milhões conforme FNDE/Proinfância, seria possível construir até 172 creches com capacidade para mais de 50 mil crianças, quadriplicando o número atual e eliminando a fila de 39.254 crianças registrada em 2022.
  • Na Saúde: levando em consideração uma UBS no valor de R$ 1,8 a R$ 6,6 milhões (valor médio do Novo PAC), Maceió poderia construir cerca de 137 unidades de porte médio semelhantes à da Santa Lúcia. Isso representaria 46 vezes a rede atual. Seria possível também construir 258 UBS novas, montar 3.578 leitos novos de UTI e adquirir 1.595 ambulâncias da SAMU.

Meio bilhão de reais é o que a gestão de Maceió pede à Câmara para se endividar por 15 a 20 anos; valor esse que a gestão poderia entregar, aos preços que a própria administração pratica, milhares de casas, dezenas de creches, escolas reformadas, prontos-atendimentos e drenagem de três bairros de uma só vez.

A pergunta fica: A gestão Cunha romperá com o legado de JHC ou será capturada pelos mesmos problemas?


Sobre o colunista

João Mendonça

Jornalista

Jornalista — Formado em Jornalismo pela Ufal, realizador audiovisual e produtor cultural, participa do Pan News e do Sem Filtro. Acompanhe no Tiktok: @joaomendonca333

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