Política

O jogo da fé: Renan reúne centenas de Pastores e JHC vira católico por um dia

Católicos e evangélicos definem disputa apertada pelo governo; candidatos trocam de base eleitoral a 3 meses da eleição

Por João Mendonça
20/07/2026 às 18:47 35 views
Capa do artigo

Ouvir Artigo

Acenando para fiéis da Santa Igreja Católica Apostólica Romana, o pré-candidato do PSDB ao governo do Estado de Alagoas, JHC, antes evangélico de prática costumaz, vai à romaria de Padre Cícero em Juazeiro do Norte.

Na ocasião, afirma ter ido ao santuário para agradecer a Deus, renovar a fé e pedir bênçãos para o povo alagoano. Em seu principal palanque, as redes sociais, fez duas publicações: uma coleção de fotos e um vídeo cinematográfico já típico de sua campanha.

O movimento sinaliza uma reorganização de sua base política para a disputa pelo governo. O ex-prefeito da capital tem se afastado dos evangélicos, um de seus maiores pilares eleitorais, a exemplo do que ocorreu em maio, quando perdeu dois nomes fortes: Mesaque Padilha e Gunnar Nunes.

Por outro lado, Renan Filho faz movimento de aproximação com a base evangélica, que naturalmente repele o nome emedebista por sua ligação com Lula, figura que se tornou algoz do movimento neopentecostal em todo o Brasil graças ao bolsonarismo.

Buscando pragmatismo, Renan Filho se reúne com cerca de 359 pastores de diversos municípios de Alagoas no Salão do Ritz Lagoa da Anta na noite da segunda-feira, 20.

De acordo com a pesquisa Ranking de junho de 2026, um em cada três votos de JHC vem de evangélicos, contra menos de um em cinco no caso de Renan. A base de Renan é dois terços católica.

Os três principais institutos de pesquisa recente em Alagoas (Real Time Big Data, Ranking e Paraná) concordam na direção: JHC é forte no eleitorado evangélico praticante; Renan leva os católicos, mas por margem menor.

Existe uma aritmética que explica a disputa apertada: os católicos representam aproximadamente 58% do eleitorado e evangélicos aproximadamente 26%. Renan ganha pouco numa base grande, já JHC, pela lógica, ganha muito numa base menor.

A fé torna-se parte da disputa eleitoral desde que o mundo é mundo. Em cenários tão apertados como aparenta o pleito alagoano de 2026, qualquer nova jogada pode ser o diferencial necessário para a vitória nas urnas, mesmo que ela interfira nos próprios ideais de mundo de cada candidato.


Sobre o colunista

João Mendonça

Jornalista

Jornalista — Formado em Jornalismo pela Ufal, realizador audiovisual e produtor cultural, participa do Pan News e do Sem Filtro. Acompanhe no Tiktok: @joaomendonca333

Ver todos os artigos
JP

Jovem Pan News 102.7

Maceió – AL