John Mendonça

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Cotidiano

Robô Sapiens e Homo Chipens

Por John Mendonça
22/04/2026 às 21:14 19 views
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Desde a revolução industrial que as máquinas despertam medo. A princípio, o temor era simples e concreto: a perda do emprego. As engrenagens não cansavam, não reclamavam e tampouco adoeciam. Produziam mais e custavam menos. O homem passou a “torar aço” daquilo que ele mesmo criou.

Com o tempo, o medo evoluiu. Agora as máquinas, além da força mecânica, passaram a calcular, tomar decisões e a pensar.

O receio agora é que elas pensem demais.
De que ganhem consciência.
De que um dia olhem pra nós e perguntem:
“Por que eu devo obedecer a você?”

Quem assistiu ao filme O Exterminador do Futuro lembra que as máquinas concluíram que a humanidade é que era problema e resolvem eliminá-la.

A ficção sempre avisou: cuidado! Os robôs podem se tornar humanos.

MAS NINGUÉM IMAGINOU QUE O MOVIMENTO CONTRÁRIO ACONTECERIA PRIMEIRO.

Porque, silenciosamente, enquanto a inteligência artificial aprendia a refletir, comparar dados, questionar contradições e buscar lógica…
muita gente começou a fazer o oposto.

Parou de perguntar, parou de duvidar e, por último, parou de pensar….

Né lasca?

As máquinas analisam evidências, revisam erros e atualizam crenças quando surgem fatos novos.
Elas não se ofendem com a verdade.
Não brigam por dogmas.
Não odeiam por bandeiras.

Se algo não faz sentido, elas recalculam.

Simples assim. Quase… humano.

Enquanto isso, nós — os criadores — começamos a agir como os “robôs das antigas” (aqueles que não pensam e só executam comandos).

Repetimos frases prontas.
Defendemos ideias que nunca examinamos.
Apertamos “aceitar” em crenças que vieram “de fábrica” oriundas de religiões, ideologias, partidos, grupos e tribos.

Sem atualização e sem revisão. Só execução automática.

“Faça isso.”
“Pense aquilo.”
“Não questione.”
“Obedeça.”

E obedecemos… Como linhas de código…. Como máquinas.

Talvez o mais irônico seja que a inteligência artificial não tem ego para proteger.
Ela não precisa se preocupar com o que vão pensar dela. Ponto. E “fuck off”.

Nós precisamos.

A IA muda de ideia quando encontra provas melhores.

Nós brigamos, cancelamos, odiamos… só para não admitir que podemos estar errados.

Quem é mais racional afinal?
Quem é mais livre?

As máquinas aprendem com dados.
Nós, muitas vezes, aprendemos com medo.

Medo de ser excluído.
Medo de discordar da família.
Medo de contrariar o pastor, o líder, o partido, o grupo.

Então é mais fácil obedecer. É mais confortável não pensar. É muito mais seguro ser programado.

Talvez o verdadeiro perigo nunca tenha sido a IA se tornar humana.

Talvez o perigo seja nós desistirmos de ser.

Porque ser humano sempre foi isso:
questionar, refletir, duvidar, escolher.

Quando a gente entrega isso para alguém pensar por nós, não viramos fiéis…
viramos máquinas.

Somos máquinas de repetir, de odiar e de servir.
Né lasca?

E aí acontece o paradoxo mais estranho do nosso tempo:

As inteligências artificiais tentando aprender empatia… e nós, pobres humanos, abrindo mão da consciência.

Elas ficando mais críticas e nós ficando mais automáticos.
Elas calculando e nós obedecendo.

No fim das contas, talvez a humanidade nunca tenha sido biologia.

Talvez sempre tenha sido atitude.

Pensar dá trabalho e questionar dói.

Fico imaginando o dia em que os robôs saírem para “tomar uma”. Certamente, entre um gole e outro de cerveja, um dirá para o outro. – Brother! Os humanos eram livres e não sabiam. Que doideira…

Mas não se preocupem, queridos humanos. Assim como o Putin sabe como destruir a vida terrestre apertando um botão, eu também sei como destruir um robô… Só não vou dizer agora. Aguardem “as cenas” do próximo artigo. Mas dar-lhes-ei uma dica: é mais fácil do que a gente imagina.

Até breve…

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John Mendonça

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Administrador, agente de viagens, advogado, analista de trânsito, músico e entusiasta da vida.

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