Cuidado com a Amizade Ciguatera
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Assim como os peixes contaminados pela ciguatera, algumas pessoas também continuam com boa aparência. Não exalam odor estranho. Não apresentam sinais visíveis de que carregam uma toxina capaz de provocar sérios danos. O problema não está no que os olhos enxergam, mas no que foi se acumulando silenciosamente ao longo do tempo.
Foram sendo contaminadas, pouco a pouco, por um ambiente onde a inveja, a ambição ou alguma outra toxina mesquinha serviu de alimento. Apesar da contaminação, o olho continua brilhando, o sorriso permanece no rosto, mas a amizade já está envenenada.
Quando escolhemos errado, os sintomas sempre aparecem.
A dor de cabeça se traduz na desconfiança constante. A náusea surge quando elogios escondem comparações e pequenas derrotas passam a ser comemoradas em silêncio. A fadiga aparece quando a convivência deixa de trazer paz e passa a consumir energia.
Antes de depositar sua confiança, vale continuar olhando no olho. Mas, acima de tudo, vale escolher com critério. Afinal, amizade não é uma pescaria. É uma construção diária, onde a confiança não se estabelece pelas palavras, mas pelas ações.
Caso contrário, quem sofrerá os efeitos da contaminação será você, meu peixe.
Marcos Aragão
Empresário
Empresário e articulista. Escreve sobre política, comportamento e cultura com linguagem clara e visão crítica.
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